O temido D

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O temido D

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Hoje o texto não é meu. É de uma redatora convidada e trata de um problema cada vez mais comum em nossa sociedade, a depressão. Vamos chamá-la de Pandora. Leia o que ela tem a dizer, quem sabe esse texto pode ser exatamente o que você ou um amigo seu precisa ler neste momento… Vamos lá?


Depressão… uma palavra comum hoje em dia, ainda mais quando passou a ser aplicada em momentos cada vez mais corriqueiros e superficiais. Passou a ser aceita socialmente a palavra, mas não os que verdadeiramente sofrem com ela. Você pode conviver com essa palavra, seus sinônimos e variações por anos no vocabulário sem antes saber o que ela realmente significa, ou nunca saber.

Na verdade, espero que a maior parte das pessoas que a usam tão corriqueira e despretensiosamente, não saibam jamais qual é o seu contorno e quais suas consequências reais, e como ela passa a ser grande ao longo do tempo, não a palavra, mas a sensação de estar presa a ela.

Quando se é depressivo, podem-se passar anos (ou meses, depende da pessoa) sem se dar conta de que o limite está chegando, até porque a doença se apresenta de forma sorrateira algumas vezes. Se você, no início, já se encontrava em uma situação perigosa, com o passar do tempo, começa a notar que passo por passo, dia após dia, as coisas vão chegando perto de uma linha imaginária que determina o limite para um perigo real.

Tal linha se remete a viver ou não viver, mas as vezes se camufla no contraponto entre sofrer ou não. Pela minha experiência, ela aparece quando se está perto demais do seu suposto fim. Não se pode notar o quanto ela te separa, de fato, do “estopim”, do momento crucial em que a coragem se exacerba, mas ela dá a noção, real ou imaginária, de que essa separação é bastante milimétrica.

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O assustador quando se fala em estopim é que, invariavelmente em momentos difíceis, você pensa que ele pode estar escondido no dia seguinte, no momento seguinte, na mensagem seguinte, no minuto seguinte. E ele pode estar de fato, escondido mesmo ali, esperando você chegar ao ponto máximo de dor suportável. O estopim me é visto como libertador e aterrorizante ao mesmo tempo e eu vivo nessa dualidade entre querer que chegue o dia em que finalmente a coragem pode se tornar ação, e a vontade de que não chegue nunca para não precisar tomar a decisão de abdicar de tudo que ainda me resta.

Quando se percebe que falta apenas um tanto pro surto, daí você repara o quanto sua vida perdeu valor no decorrer do processo. Eu queria poder dizer o que fazer a quem lê e está passando por algo parecido, mas eu ainda estou perto demais da minha linha, aguardando meu estopim que se mostra logo ali, virando a esquina. A única coisa que posso dizer é que, se em algum momento de clareza mental você conseguir ter a noção de que precisa de ajuda, peça ajuda.

Se chegou àquele ponto onde sente que não tem mais como ser ajudado, essa é a hora em que mais precisa se convencer de que necessita de ajuda. Se puder, reúna toda sua força e vá atrás de alguém que possa te guiar. Um médico, um psicólogo ou um familiar… busque auxílio, porque viver é doloroso, mas morrer envolve a grande incerteza do encontrar ou não o alívio esperado. A gente nunca acha que a morte, no nosso caso, é supervalorizada e a vida é a única realidade e a única certeza. Bom, pelo menos pra mim ela é a única coisa certa, ao menos até o próximo suspiro.


Observação minha aqui:

Se você precisa falar com alguém e não tem ninguém que você se sinta a vontade para desabafar, você pode entrar em contato com o Centro de Valorização da Vida, que faz o seguinte serviço:

“O CVV – Centro de Valorização da Vida realiza apoio emocional e prevenção do suicídio, atendendo voluntária e gratuitamente todas as pessoas que querem e precisam conversar, sob total sigilo por telefone, email, chat e Skype 24 horas todos os dias.” (Retirado do site)

Se você conhece alguém que tenha depressão, ajude-o. Procurar ajuda e lutar contra a depressão é muito importante! Não é uma frescura! Não diga coisas como: “isso passa” ou mesmo subestime os motivos que fizeram a pessoa chegar a essa situação. Eles podem ser pequenos para você, mas com certeza não são para essa pessoas. Dizer essas coisas pode até causar um efeito contrário e fazer com que ela não te procure mais para falar sobre eles.

Stop Depression Indicating Prohibit Anxious And Stopped

Karina Oliveira
Karina Oliveira
Formada em Letras, apaixonada por marketing digital, café, gatos e pelo meu filho lindo. Gosto de compartilhar conhecimentos e dividir experiências.

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